Temperos da panela indígena

Temperos da panela indígena

Por Sabrina Jeha

Esse é o nome de um dos capítulos do livro História da Alimentação no Brasil, de Luís da Câmara Cascudo, historiador e antropólogo que se dedicou a estudar e sistematizar a cultura brasileira. No prefácio, ele conta que “Em dezembro de 1943, veraneando na Vila de Estremoz (RN), esquemei liricamente uma História da Alimentação no Brasil , seduzido pelo assunto que vivia esparso e diluído em mil livros.” A partir daí, todas suas vivências, prosas e leituras era material para o livro, que foi escrito entre os anos de 1962 e 1963.

O tempero essencial dos povos indígenas eram as pimentas Capsicum, eles comiam verdes ou maduras, diferentes cores e formatos com peixe e vegetais, misturada a farinha de mandioca e preparavam também o que se chamava de ijuqui  pimenta seca pilada com sal (que eles já sabiam fabricar, secando água do mar em valas).

Ao longo dos séculos XVI e XVII as cunhãs, cozinheiras das tribos, começaram a fazer como as portuguesas: usar os temperos que nasciam em suas hortas. E aí, para minha surpresa, Câmara Cascudo cita uma única erva além das pimentas: “Há uma erva que se chama nhambi, que se parece na folha com o coentro, e queima como mastruço, a qual comem os índios e os mestiços crua e temperam as panelas de seus manjares com ela.” O Nhambi, foi identificado como Eryngium foetidum aqui na Sabor de Fazenda chamamos de coentrão, mas pelo Brasil é chamado de Chicória de Caboclo, coentro de caboclo, coentro de pasto.

Pois é, todo dia, era dia do índio, mas agora ele só tem o dia 19 de abril…Baby do Brasil canta esses tristes versos, um retrato de como os povos indígenas são tratados desde a chegada dos portugueses em suas terras. O ISA, Instituto Sócio Ambiental, faz um trabalho incrível de valorização e preservação da cultura de diferentes povos indígenas e lançou o Manual dos Remédios Tradicionais Yanomami https://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/publicacoes/manual-dos-remedios-tradicionais-yanomami

Um lindo e extenso trabalho de pesquisa sobre os saberes de cura tradicionais desse povo.

Aqui no Sabor de Fazenda, você pode ver de perto algumas ervas que aparecem no Manual Yanomami e no livro do Câmara Cascudo e que são usadas há anos para temperar e preservar a saúde dos povos tradicionais: entre elas estão o coentrão, as pimentas malaguetas, dedo de moça, biquinho, a carqueja, o boldo indígena, gengibre, capim limão, araruta, urucum, cana do brejo.

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E viva a cultura indígena, hoje e sempre!

Av. Nadir Dias de Figueiredo, 395 – Vila Maria, São Paulo
(11) 2631-4915
sabordefazenda@sabordefazenda.com.br

Este post tem um comentário

  1. Renato de Bulhoes

    Quando pequenininho, o coentro-de-pasto não gosta muito de Sol direto, mas depois de crescido ele pode receber os raios da parte da manhã ou da parte da tarde (não de ambos no mesmo dia), mesmo em lugares com verões muito quentes, como aqui na cidade do Rio, MAS DESDE QUE seja regado de manhã, antes do Sol (considerando que pegará o Sol matutino) e logo depois que o Sol não o atinja mais, neste caso, no início da tarde ou até antes, melhor ainda, mas fora do Sol. Os meus ficaram enormes. Para reproduzi-los, pegue-lhes as sementes ainda verdes e salpique-as sobre as imediações esfregando-as levemente entre as pontas dos dedos. Depois de 2 anos você ainda terá sementes germinando que estavam dormentes no solo. São vulneráveis a colchonilhas.

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